quinta-feira, 21 de maio de 2009

Nutrição Emocional

Se consumir gordura, fica com gordura.

Se consumir alcool, fica com álcool (e bêbado, provavelmente).

Se consumir medo... fica com medo.

Vamos analisar a coisa com calma:

Se consumo medo, fico com medo. Se tenho medo, desenvolvo o chamado stress negativo (sim, existe stress positivo, ou eustress). Se desenvolvo stress negativo activo "3 vozes emocionais" dentro de mim:
- Pessimista (crio desesperança, vai tudo correr mal..., etc)
- Punitiva (recorda-me o que não sou e o que não consegui alcançar)
- Submissa/acomodativa (se algo pode ser feito é pelos outros) - pode ser que o Obama nos salve!...

Se tenho essas 3 vozes activas ainda vou gerar mais medo e o ciclo intensifica-se... Lógico, não?

Então porque razão as pessoas continuam ainda por cima a consumir toneladas industriais de medo por dia? Leia-se nas entrelinhas, consumir notícias, jornais e telejornais?

(Nota: se a resposta for "para estar actualizado", está provado que é muito mais eficaz ler 1 jornal por semana do que 1 jornal diariamente, pois o distanciamento temporal vai permitir uma "filtragem" de notícias que o bombardeamento diário não permite - sugiro a leitura do "Cisne Negro")

Porque não a criação de um jornal apenas com notícias positivas? Do bom que se faz no mundo, etc? Já sei... não vendia tanto, não era?

Confesso que desde que parei de ver notícias (internet, radio, televisão e jornais) deixei de ter medo de:
- gripe dos porcos, das aves e das salamandras zarolhas
- atentados suicidas e outras talibanisses
- que me roubem o carro, a casa ou a avó
- de desenvolver cancro no escroto se puser os alimentos no micro-ondas
- que a Maddie apareça no meu quintal
- que o meu vizinho que é calado e bem comportado afinal seja um serial-killer que escortacha pessoas e as guarda no frigorífico para juntar à ração que dá ao gato
- etc...
- Ah, e já me esquecia! E esquecia mesmo: da CRISE!!!

A única crise que me preocupa mesmo é a falta de valores que invade o rebanho...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Será o Islamismo o caminho para a paz no mundo?

Pegando no tema da estatística, recebi agora um vídeo sobre o crescimento da população muçulmana a nível mundial que me parece interessante debater.

Segundo o mesmo, e diversos especialistas, dentro de poucos anos (aproximadamente 25) a Europa passará a ser um estado muçulmano, assim como vários países do Mundo.

Podem ver o vídeo aqui:



Ao início fiquei apreensivo mas depois "iluminei-me" perante estas excelentes notícias!

Poderá ser uma excelente oportunidade de paz no mundo, pois deixa de existir desigualdade a nível religioso e passa-se a ter uma plataforma comum de comunicação e entendimento, ingredientes necessários a um "salto de consciência".

Ao fim e ao cabo, praticamente todas as religiões defendem o mesmo e, quer queiramos, quer não, a Muçulmana é uma das mais pacíficas e inteligentes que existe, apesar de toda a "má publicidade" que tem sofrido devido a alguns grupos radicais islâmicos que correspondem a aproximadamente apenas 0,001% (1 em cada 100.000 pessoas) dessa gigantesca população.

Acredito que se a maioria das pessoas pertencer a uma religião deixará de existir a necessidade "clubística" de mostrar que "a minha é melhor que a tua" e que, finalmente, nos possamos dedicar a coisas bem mais proveitosas para o bem da humanidade.

Os muçulmanos já no passado foram peritos em contribuir para o bem da humanidade, pois enquanto andávamos a queimar pessoas nas fogueiras eles iam dando excelentes avanços a nível da Matemática (ex. número 0), da Medicina (ex. cura da peste negra), da agricultura (ex. frutos secos, laranjeiras, amendoeiras, oliveiras, etc...), da Astronomia, etc...

É uma forma, creio que positiva, de ver um vídeo que, supostamente, parece querer transmitir uma mensagem negativa...

Se essa for a realidade, que a recebamos de braços abertos e a potenciemos no sentido positivo.

Para os que ainda estão cépticos, o problema reside na seguinte confusão Linguística:
"quase todos os terroristas são muçulmanos" (VERDADEIRO) vs "quase todos os muçulmanos são terroristas" (FALSO - apenas 0,001%)

Gostava de ouvir a vossa opinião...

Descoberta do Gene Cristão

Num exemplo perfeito da técnica humorista de inversão, mostro-vos hoje um vídeo que tenta parodiar com a posição anti-homossexual que a igreja cristã defende.



Sinceramente, e depois de já ter lido o novo testamento 2 vezes, embora toda a gente me diga que o velho testamento tem mais acção e mais sangue (parece que realmente as sequelas são sempre mais fraquinhas), não me lembro de encontrar alguma menção anti-homossexual. Se calhar foi posteriormente inserida por algum padre preocupado com a libido dos seus companheiros, afinal de contas passar a vida toda enclausurado num local onde todos os residentes são homens, pode levar a que necessidade fisiológica supere a sensação de estranheza.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Estatisticamente Falando parte 2

Tal como tinha prometido, vou falar de um conceito que é de extrema importância em qualquer tipo de decisões que se tomem, quando baseadas em informações incompletas ou quando há falta delas.
Os mais atentos saberão que estou a falar do teorema de Bayes, cuja definição matemática é

onde P(A) e P(B) são, respectivamente, as probabilidade dos acontecimentos A e B ocorrerem, P(A|B) é a probabilidade condicional de A, dado B ou seja, é a probabilidade de que se B ocorreu, A venha a ocorrer e P(B|A) logicamente será a probabilidade condicional de B, dado A.
Tal como devem saber, a definição clássica de probabilidade pode ser descrita como o coeficiente entre o número de casos favoráveis (em relação ao acontecimento sobre o qual queremos saber a probabilidade) e o número de casos total (todos os casos possíveis, quer sejam favoráveis ou não). A expressão matemática será, então,
Armados com esta informação, podemos então pensar quão diferente será a interpretação Bayesiana, da noção que normalmente temos dos que é a estatística. Nada como um exemplo para mais facilmente ficarmos com uma imagem dos conceitos envolvidos.

Por exemplo, vamos supor que um indivíduo se desloca ao médico para efectuar um exame fisiológico cujo resultado dirá se essa pessoa tem uma certa doença. O médico sabe que o teste tem uma fiabilidade de 99% (deveríamos ainda saber se a probabilidade de dar falsos positivos e falsos negativos é a mesma, mas neste exemplo vamos supor que sim), e quando o resultado do teste finalmente é conhecido, a resposta é positiva para a existência da doença.
Neste caso o que deve o médico dizer ao doente? O que muitos médicos acabam por dizer é que existe uma chance de 99% de o doente realmente ter essa maleita, no entanto, e à luz do teorema de Bayes, essa informação pode estar dramaticamente errada.
Vejamos por exemplo que se a doença em questão for uma condição rara (por exemplo apenas 500 pessoas em cada milhão de habitantes a ter), e tendo em conta a fiabilidade do teste, se testarmos um milhão de pessoas em princípio haverão 9995 falsos positivos e 5 falsos negativos (1% dos 999500 indivíduos sãos e 1% dos 500 que têm a doença, respectivamente).
Desta forma, dos 1.000.000 de indivíduos que testámos, 10.490 acusaram positivo, de onde 495 têm realmente a doença e 9995 não a têm.
Assim, tendo em conta a definição de probabilidade, existe apenas uma probabilidade de cerca de 4,7% que uma pessoa que acuse positivo no teste tenha realmente a doença em questão.

Como podem ver, a diferença é enorme e aumenta quanto mais rara for a doença ou quanto pior for a fiabilidade do teste efectuado. Quando nos deslocamos ao médico com o intuito de efectuar um qualquer exame, não estamos frequentemente a par da fiabilidade do teste que nos irão fazer, e aceitamos o resultado como se não houvesse qualquer incerteza associada ao diagnóstico. Este comportamento baseia-se na confiança que desenvolvemos nas capacidades técnicas de toda a equipa médica, e nomeadamente na sua compreensão do teorema de Bayes.
Tal como no caso do médico, o mesmo se pode concluir no que diz respeito em relação a entrevistas de trabalho onde, quer queiramos quer não, o teorema de Bayes é utilizado (quase sempre inconscientemente) na observação da nossa personalidade baseada nos estereótipos e na vivência de cada um dos entrevistadores. Ou seja, uma certa conclusão sobre a nossa personalidade, através de algo que tenhamos feito ou dito na entrevista, pode ser tirada partindo do rótulo que o entrevistador nos tenha adjudicado a priori. Ou seja, se for loira e se o entrevistador achar que 90% das loiras são burras, e se por acaso no meio da conversa tiver o azar de mencionar alguma afirmação estúpida, a percepção que ele tem sobre a probabilidade de que a pessoa que ele está a entrevistar ser realmente ignorante, aumenta de uma forma que pode estar errada exclusivamente porque o estereótipo (ou seja a percepção que ele tem sobre a percentagem de loiras menos espertas) pode estar drasticamente errado.
Daí o facto de os estereótipos serem tão perigosos.

Este conceito é também extremamente importante nos jogos de casino, nomeadamente no poker, mas deixarei para outro post este tema

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Estatisticamente Falando

Nas nossas conversas do dia-a-dia, estamos recorrentemente a falar de estatística e probabilidades, quer seja quando nos socorremos de um estereótipo para provar um qualquer ponto ou quando tiramos uma conclusão sobre uma situação baseada no facto de a situação contrária não nos parecer provável. O facto é que a população em geral, e infelizmente também muitas das pessoas que trabalham em locais em que estes conceitos são de grande importância, não têm uma grande noção do significado da definição de probabilidade nem da validade dos testes estatísticos.
É sabido que quando se pede a um grupo de indivíduos para escrever uma sequência de acontecimentos que descreva, por exemplo, o lançamento de uma moeda a grande maioria das pessoas não insere repetições suficientes para descrever correctamente os lançamentos reais. Um excelente artigo sobre este fenómeno pode ser lido no blog Cosmic Variance e no blog Bad Astronomy podemos ver como está ligado ao funcionamento intrínseco do nosso cérebro e como nos faz ver padrões onde não existem.
Uma das maneiras de as pessoas compreenderem o que quero dizer é a seguinte:
Qual destas sequências de lançamento de uma moeda parece mais provável (H- significa cara e T- significa coroa)

HTTHTHTH
ou
HHHHTTTT

O que acontece é que a maior parte das pessoas dirá que o segundo lançamento tem menos probabilidade de acontecer porque têm uma perspectiva errada do que significa haver 50% de probabilidade de calhar cara e 50% de probabilidade de calhar coroa num lançamento. A realidade é que a probabilidade de obter cada uma destas sequências quando efectuamos uma série de 8 lançamentos é a mesma.

Poderão pensar que isto é muito técnico e que não se aplica no nosso dia-a-dia, mas quando perceberem que procedimentos tão usuais como o recrutamento de trabalhadores para uma empresa, ou o diagnóstico de uma qualquer condição do foro médico tem por base estudos estatísticos que são frequentemente mal interpretados pelos agentes contratadores e/ou médicos talvez a vossa opinião mude. Noutro post falarei do teorema de Bayes e como muitas das decisões que fazemos na vida são baseadas na nossa percepção (muitas vezes inconsciente) deste teorema estatístico.

terça-feira, 31 de março de 2009

Igualdade de Direitos

Converti-me recentemente à igreja do monstro de esparguete voador (FSM) pois senti que, depois dos estudo em que os ateus são representados como sendo a maior ameaça aos valores familiares nos estados unidos, a pressão social para que escolhesse uma qualquer religião era esmagadora.
No estudo da Gallup de 2007 sobre as opções de voto dos americanos em relação às características raciais, género, escolhas sexuais, religiosas e até idade dos candidatos a presidente do seu país, uma conclusão pode ser tirada. Um presidente ateu parece estar fora dos planos dos americanos num futuro próximo.
Podemos ver na tabela que os americanos prefeririam votar em qualquer candidato com as características acima, do que votar num ateu que logicamente por não ter quem lhe diga o que fazer vai naturalmente reduzir-se à sua condição natural de bombista/pedófilo/ladrão/etc. Claro que com a ajuda moral encontrada em qualquer livro escrito há mais de 1500 anos esta condição humana pode ser subvertida e transformar todos os potenciais serial-killers em excelentes chefes de família.
Como tal, venho agora, depois de devidamente evangelizado, pedir que se ensine nas escolas pelo mundo inteiro a teoria da criação do universo pelo monstro do esparguete voador (muito melhor documentada do que a teoria da evolução e qualquer outra teoria científica). Se os proponentes do Design Inteligente querem que se ensine nas aulas de ciência as outras teorias para a formação do universo eu estou completamente de acordo e acho que devemos não só ensinar o criacionismo mas também devemos ensinar que algumas teorias dizem que a terra é plana e que o seu interior é feito de gelatina de morango e a lua é feita de queijo.
Parece-me que o Santana Lopes é que tinha razão e que devemos sempre ter o direito ao contraditório, e nem sequer precisa de fazer sentido, basta que seja, como o nome indica, contrário ao que se diz.

PS: Se quiserem saber mais sobre a minha igreja (visto que está no contrato que tenho que evangelizar todos os que consiga) podem ler esta brochura (já que escrever um livro com mais de 1000 páginas dá muito trabalho e de qualquer maneira 99% das pessoas acaba por não o ler).

sábado, 21 de março de 2009

Variância


Antes de me apresentar gostava de lhe pedir abrisse este link noutra janela do seu browser.

Pergunto-lhe se vê a figura feminina rodar no sentido horário ou anti-horário?

Por muito estranho que lhe possa parecer é possível ver a mesma imagem rodar em ambos os sentidos, dependendo se estamos a usar uma dominância do lado direito do cérebro (sentido horário) ou lado do esquerdo (sentido anti-horário).

Foi com muito gosto que aceitei o convite do Nabla para escrever no Invariância e o desafio que lancei a mim próprio foi o de abordar temáticas de ciências menos puras, introduzindo, assim, alguma dispersão... :)

Deixo-vos algumas questões que tenciono abordar posteriormente:
  • será que existe diferença, no cérebro, entre pensar um acto e realizá-lo?
  • será que a prática da meditação tem benefícios reais para a saúde, possíveis de medir fisiologicamente, ou isso são apenas "paranóias" New Age?
  • será possível induzir sentimentos apenas pela manipulação dos músculos faciais?
  • quem será mais feliz ao final de um ano: uma pessoa que ganhou o Euromilhões ou uma que ficou tetraplégica?